Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 16 de setembro de 2017

Sublimando...

Rob Gonsalves



Firmes, os teus passos rasgam uma inquieta solidão. Abre o peito à calada luz que te guia...credo no velho ideal, no sentimento ardente, na claridade azul da madrugada fria! Que importam os brados, que dizem os bardos líricos e narcísicos olhando a própria sombra? Não és um deles. A selva urbana não te intimida,nela os homens afogam os sonhos e viajam em florestas imaginárias onde os medos se escondem... 
Regressa! A lua vai alto e os ideais se acalentam.

Ana

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Da Suavidade

Phan Thu Trang




Íntima e constante música
Que sob os passos silencia.
Doçura secreta e ínfima...
Meiga criança que balbucia!

A crença na Vida te sacia.

Veiga ou vale ou voragem
Deste frémito se anuncia:
Íntima e constante música!

E o Universo se extasia,
Revolver eterno da miragem.


Ana



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Da Esperança ...

Suibokuga



Talvez brotasse pura...
Incólume como o poente!
Talvez lutasse duramente.
Incómoda palavra...
Necessária na tarde imensa,
Contrária ao silêncio que lavra.
Incómoda palavra...
Talvez brotasse pura
A esperança!

Ana



sábado, 29 de julho de 2017

Leituras...




Espera-se um poema, mas o trabalho ainda aperta...o calor imenso do sul interior não traz o cheiro da maresia, mas o odor criminoso dos fogos que eclodiram na distância próxima. Nuvens negras de outras tempestades...
Leio a última obra de Eco. Recomenda-se. Lúcido na  análise, até aos dias do fim!
Que a lassidão deste calor não inflame narcisismos megalómanos.





domingo, 16 de julho de 2017

Pela torrina do sol

José Alves, Benavila 


Tórrido, o sol cai a pique. São dias longos de muito trabalho e, quando contas aquelas anedotas sobre alentejanos, queria ver-te aqui comigo. Atravessamos o parque e as tílias ensombram os passos apressados. Sempre a hora. Sempre à hora. As salas irrespiráveis albergam vintenas de meninos que tremem e sabem que aquelas folhas lhes pautam o futuro. 
Catorze horas. Exames e mais exames. Exames de mais. Catorze horas.
Pela torrina - vais dizer que esta palavra é só minha - caminhamos lado a lado. Tão verdinho que vieste do teu Minho e agora dizes-me que gostas deste calor. Catorze horas. Quarenta e três graus. Vamos segurando as garrafas de água. A escola espreita-nos. Ah o trabalho! O trabalho. Com ele esses sonhos futuros, dos nossos meninos, hão-de ser matéria concreta.
Logo,  quando a sombra se esticar, iremos por ali, cavaleiros de agora, percorrendo a planície ondulada -  nosso mar dourado, bafo materno e criador!


Ana